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[ Sexta-feira, 8 de Maio de 2009 | 0 comentários ]
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O filho pródigo

[ Sexta-feira, 17 de Abril de 2009 | 0 comentários ]

- Abandonei tudo o que consegui até então, esqueci de todos que um dia amei, abri mão dos desejos e vontades que tanto cultivei em minhas andanças por esse mundo, e assim tornei-me um receptáculo vazio de mim mesmo e dos caprichos alheios também! Isto bastou-me?

(...)

- Somente assim tornastes quem tu és verdadeiramente!

- Pelas tuas perdas e derrotas todas nesse mundo de ilusões e interesses experimentastes o verdadeiro licor do seio desse mundo, e surpresa: é insípido e decepcionante como tudo o mais! Vê: a única liberdade que conseguistes através de tua empresa foi tão somente a mais patética negação de tudo que existe. Pior: tua mais profunda negação nunca cessou a existência do que abandonastes, esquecestes ou deixastes, tudo permaneceu em destinos outros e com outros.

- Você não era tão imprescindível assim, meu caro, e tão pouco o mundo se deu conta de sua malograda fuga!

- A liberdade em que querias viver não era mais do que as sombras distantes e distorcidas de tuas correntes de antanho que tanto supunhas odiar. A liberdade que conseguistes era, sim, a mera ilusão de uma falta de comprometimento consigo mesmo e com o mundo, era a irresponsabilidade ocioso do nada mais interessar, era a procrastinação eterna do porvir, era a covardia da criança pela repreensão do adulto, era a resposta errada de uma pergunta equivocada. Essa liberdade que sustentastes tão tragicamente em seu íntimo sempre foi um desbotado e esfarrapado estandarte à fraqueza de teu espírito.

- Do mais promissor dentre todos, foi-se posto a fragilidade de tua categoria às intenções metafísicas de teus supostos sempregloriosos empreendimentos futuros.

- Por quê se preocupar se tudo se arranja sempre tão bem? Sabe: pouco se poderia fazer diante do inevitável encontro com seu destino semprefabuloso: é impossível que tudo não se converja na absoluta perfeição dos desígnios superiores nos quais fora ungido semprecedo: era questão apenas de se esperar um alinhamento cabalístico semprepróximo acontecer: sim!

- O inevitável encontro cósmico conformou-se, em verdade, num inevitável semprereencontro de ilusões revividas e realimentadas num sempreredemoinho de desesperanças secas de uma vida helicoidal vazia de si mesma, ôca de um significado sempresonhado e sempreperdido.

...quão parece fumaça teus verdes campos,
quão parece desejos de desejos de desejos...
e somente assim tornastes quem tu és:

(...)

- Da liberdade experimentada resta o ranço amargo de minha desilusão e de minha vergonha. Mais de uma do que de outra, é verdade. Nunca bastou-me a promessa, mas o merecer, agora compreendo que me resta não mais a etérea liberdade - impossível e desnecessária -, e nem a quero mais, mas a liberdade das escolhas a serem conquistadas por mérito próprio. De fato, quando não se sabe para onde ir, qualquer lugar basta, assim como, em meio à prosopopéias errantes me bastará o sim! da certeza do fazer e do conquistar.

- Sim! Recomeçar é comigo mesmo!


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O filho pródigo

| 0 comentários ]

- Abandonei tudo o que consegui até então, esqueci de todos que um dia amei, abri mão dos desejos e vontades que tanto cultivei em minhas andanças por esse mundo, e assim tornei-me um receptáculo vazio de mim mesmo e dos caprichos alheios também! Isto bastou-me?

(...)

- Somente assim tornastes quem tu és verdadeiramente!

- Pelas tuas perdas e derrotas todas nesse mundo de ilusões e interesses experimentastes o verdadeiro licor do seio desse mundo, e surpresa: é insípido e decepcionante como tudo o mais! Vê: a única liberdade que conseguistes através de tua empresa foi tão somente a mais patética negação de tudo que existe. Pior: tua mais profunda negação nunca cessou a existência do que abandonastes, esquecestes ou deixastes, tudo permaneceu em destinos outros e com outros.

- Você não era tão imprescindível assim, meu caro, e tão pouco o mundo se deu conta de sua malograda fuga!

- A liberdade em que querias viver não era mais do que as sombras distantes e distorcidas de tuas correntes de antanho que tanto supunhas odiar. A liberdade que conseguistes era, sim, a mera ilusão de uma falta de comprometimento consigo mesmo e com o mundo, era a irresponsabilidade ocioso do nada mais interessar, era a procrastinação eterna do porvir, era a covardia da criança pela repreensão do adulto, era a resposta errada de uma pergunta equivocada. Essa liberdade que sustentastes tão tragicamente em seu íntimo sempre foi um desbotado e esfarrapado estandarte à fraqueza de teu espírito.

- Do mais promissor dentre todos, foi-se posto a fragilidade de tua categoria às intenções metafísicas de teus supostos sempregloriosos empreendimentos futuros.

- Por quê se preocupar se tudo se arranja sempre tão bem? Sabe: pouco se poderia fazer diante do inevitável encontro com seu destino semprefabuloso: é impossível que tudo não se converja na absoluta perfeição dos desígnios superiores nos quais fora ungido semprecedo: era questão apenas de se esperar um alinhamento cabalístico semprepróximo acontecer: sim!

- O inevitável encontro cósmico conformou-se, em verdade, num inevitável semprereencontro de ilusões revividas e realimentadas num sempreredemoinho de desesperanças secas de uma vida helicoidal vazia de si mesma, ôca de um significado sempresonhado e sempreperdido.

...quão parece fumaça teus verdes campos,
quão parece desejos de desejos de desejos...
e somente assim tornastes quem tu és:

(...)

- Da liberdade experimentada resta o ranço amargo de minha desilusão e de minha vergonha. Mais de uma do que de outra, é verdade. Nunca bastou-me a promessa, mas o merecer, agora compreendo que me resta não mais a etérea liberdade - impossível e desnecessária -, e nem a quero mais, mas a liberdade das escolhas a serem conquistadas por mérito próprio. De fato, quando não se sabe para onde ir, qualquer lugar basta, assim como, em meio à prosopopéias errantes me bastará o sim! da certeza do fazer e do conquistar.

- Sim! Recomeçar é comigo mesmo!


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Abyssus abyssum invocat

[ Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009 | 0 comentários ]

Grita um abismo a outro abismo
com o fragor das tuas cascatas;
tuas vagas todas e tuas ondas
passaram sobre mim.
(Salmo 42-7)


Um jovem pensamento deteve-se abruptamente numa cognição distante e imperativa:

- E se houver outra realidade dentro desse sumidouro? Digo: e se existir outros universos no interior desse abismo cósmico? Nem digo do outro lado, pois assumiria o risco de afirmar a existência de algo além do abismo, sendo esse tão somente uma passagem para outra realidade. Refiro-me, em verdade, ao âmago desse abismo. Será possível tal existência?

O ex-santo lembrando do seu último milagre entre os homens, saudojocoso de suas então imutáveis jococertezas, trepa sobre seus outrora pés barrocosos e de cima do todo paramentado pedestal lamenta piamente em sua redescrença:

- Creio que a imensidão ao achar outras imensidões descobre-se já não tão imensa quanto outrora se cria. Alguma coisa me diz que é lá no fundo do abismo onde se encontra a origem para toda a criação, enquanto que em suas bordas encontra-se apenas todas as ilusões de uma realidade ensimesmada em suas percepções inconclusas enquanto é lenta e inexoravelmente tragada ao encontro de uma verdade absoluta que nada mais é do que uma coleção repetitiva de verdades pra lá de transitórias e fortuitas do eterno absoluto, senhor caprichoso dos destinos alheios e enganador máximo das vontades nossas.

Dizia solenemente a cafetina às suas jovens raparigas enquanto as prepara para o próximo velhaco escroto que as abusará o resto da noite:

- Minhas filhas, é sabido por todas que quando no limite do abismo pode-se estar em dois lugares distintos: ou a salvo, em sua beirada, ou perdida, em suas profundezas. Não existirá outra possibilidade fora essa verdade unigênita em que vivemos.

Em meio as correntezas de suas águas cristalinas, num retumbante sempresalto que começa e termina em si mesma, a poderosa cachoeira não se cabe em seu sempreleito enquanto irrompe-se num revelador semprinsight:

- À beira do inevitável não é apenas uma expressão dissimulada para procrastinar - ou melhor, tentar iludir - o inevitável retorno da criação às possibilidades incansavelmente revividas pela natureza transitória do todo? Tudo de novo!

Enquanto vislumbra seu passo além do horizonte de eventos do buraco negro, a maior das estrelas da maior das galáxias do maior dos universos desfaz-se numa espiralada revelação:

- O porquê de se conjecturar o insondável destino de nossa realidade se, ao nos depararmos com tais agonias futuras dessa nossa jornada cósmica somente nos resta esta "única" existência possível? Se, e somente se, o que nos resta seja este brevíssimo momento fortuito, por que deveríamos desacreditá-lo em maldições desnecessárias a um carma existencial eterno e imperscrutável? Revelo: se é fato que morreremos nessa existência cósmica, se é crível outras realidades coexistirem num eterno círculo de nascimento, manutenção e morte, não seria verdade que a única razão plena que podemos experimentar é justamente esta tão curta vida que nos resta? Talvez o ponto máximo dessa criação seja justamente o entendimento que para uma vida plena basta apenas aceitar que uma vida já é o suficiente.
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Abyssus abyssum invocat

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Grita um abismo a outro abismo
com o fragor das tuas cascatas;
tuas vagas todas e tuas ondas
passaram sobre mim.
(Salmo 42-7)


Um jovem pensamento deteve-se abruptamente numa cognição distante e imperativa:

- E se houver outra realidade dentro desse sumidouro? Digo: e se existir outros universos no interior desse abismo cósmico? Nem digo do outro lado, pois assumiria o risco de afirmar a existência de algo além do abismo, sendo esse tão somente uma passagem para outra realidade. Refiro-me, em verdade, ao âmago desse abismo. Será possível tal existência?

O ex-santo lembrando do seu último milagre entre os homens, saudojocoso de suas então imutáveis jococertezas, trepa sobre seus outrora pés barrocosos e de cima do todo paramentado pedestal lamenta piamente em sua redescrença:

- Creio que a imensidão ao achar outras imensidões descobre-se já não tão imensa quanto outrora se cria. Alguma coisa me diz que é lá no fundo do abismo onde se encontra a origem para toda a criação, enquanto que em suas bordas encontra-se apenas todas as ilusões de uma realidade ensimesmada em suas percepções inconclusas enquanto é lenta e inexoravelmente tragada ao encontro de uma verdade absoluta que nada mais é do que uma coleção repetitiva de verdades pra lá de transitórias e fortuitas do eterno absoluto, senhor caprichoso dos destinos alheios e enganador máximo das vontades nossas.

Dizia solenemente a cafetina às suas jovens raparigas enquanto as prepara para o próximo velhaco escroto que as abusará o resto da noite:

- Minhas filhas, é sabido por todas que quando no limite do abismo pode-se estar em dois lugares distintos: ou a salvo, em sua beirada, ou perdida, em suas profundezas. Não existirá outra possibilidade fora essa verdade unigênita em que vivemos.

Em meio as correntezas de suas águas cristalinas, num retumbante sempresalto que começa e termina em si mesma, a poderosa cachoeira não se cabe em seu sempreleito enquanto irrompe-se num revelador semprinsight:

- À beira do inevitável não é apenas uma expressão dissimulada para procrastinar - ou melhor, tentar iludir - o inevitável retorno da criação às possibilidades incansavelmente revividas pela natureza transitória do todo? Tudo de novo!

Enquanto vislumbra seu passo além do horizonte de eventos do buraco negro, a maior das estrelas da maior das galáxias do maior dos universos desfaz-se numa espiralada revelação:

- O porquê de se conjecturar o insondável destino de nossa realidade se, ao nos depararmos com tais agonias futuras dessa nossa jornada cósmica somente nos resta esta "única" existência possível? Se, e somente se, o que nos resta seja este brevíssimo momento fortuito, por que deveríamos desacreditá-lo em maldições desnecessárias a um carma existencial eterno e imperscrutável? Revelo: se é fato que morreremos nessa existência cósmica, se é crível outras realidades coexistirem num eterno círculo de nascimento, manutenção e morte, não seria verdade que a única razão plena que podemos experimentar é justamente esta tão curta vida que nos resta? Talvez o ponto máximo dessa criação seja justamente o entendimento que para uma vida plena basta apenas aceitar que uma vida já é o suficiente.
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Mesmice minha

[ Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008 | 0 comentários ]
Um brevíssimo (ssíssimo) instante de introspecção diante do ritmo contagiante e maduro da dupla inglesa Gnarls & Barkley.



Going On


Estou a partir!
Encontrei um mundo maravilhoso onde sou bom o bastante.
...
Já estou a caminhar!
Encontrarei pessoas fantásticas que acreditarão sempre em mim.
...
Cá estou, finalmente!
Onde estão os outros?
(...)
Encontre-me, por favor!
Faz tempo que só retenho a perfeição das minhas fantasias.

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Mesmice minha

| 0 comentários ]
Um brevíssimo (ssíssimo) instante de introspecção diante do ritmo contagiante e maduro da dupla inglesa Gnarls & Barkley.



Going On


Estou a partir!
Encontrei um mundo maravilhoso onde sou bom o bastante.
...
Já estou a caminhar!
Encontrarei pessoas fantásticas que acreditarão sempre em mim.
...
Cá estou, finalmente!
Onde estão os outros?
(...)
Encontre-me, por favor!
Faz tempo que só retenho a perfeição das minhas fantasias.

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